Camilo Castelo Branco foi escolhido para patrono desta escola, porque é uma das referências do Concelho em termos culturais. Ele viveu em Famalicão, S. Miguel de Ceide, desde 1864, produzindo algumas das melhores obras da literatura portuguesa, até à sua trágica morte, passados 26 anos.
Quando se fala na biografia de Camilo, ocorre-nos à memória aquele livro de Alberto Pimentel, significativamente intitulado - O Romance do Romancista. Na verdade, em nenhum outro escritor é possível estabelecer uma homologia tão profunda entre a vida e a obra, já que uma e outra são marcadas pelo sinete da desgraça, do sofrimento, da tragédia.
O seu nascimento em Lisboa, no Largo do Carmo, em 16 de Março de 1825, ficará ligado a uma nota de bastardia que o marcou profundamente. Logo a seguir, é a orfandade: a mãe faleceu em 1827, o pai em 1835.
Aos dez anos, é enviado para Vila Real. "Aos dez anos levantou-se uma tempestade no seio da minha família. Uma vaga levou meu pai à sepultura; outra atirou comigo de Lisboa, minha pátria, para um torrão agro e triste do norte". Depois, são várias tentativas escolares a revelarem a sua inconstância, e que incluem passagens pela Academia Politécnica, pela Escola Médica, pelo Curso de Medicina, no Porto e pelos preparatórios do Curso Jurídico em Coimbra.
Em 1850, conheceu a sua “mulher fatal” – D. Ana Augusta Plácido - num baile da Assembleia Portuense. Pelo caminho haviam ficado, entre outras, Joaquina Pereira, com quem casara em 1841, Maria do Adro, Patrícia Emília, Maria Felicidade Couto Browne e... também, por causa delas, uma primeira passagem pela Cadeia da Relação do Porto.
Depois de uma experiência de natureza espiritual - matrícula no Seminário do Porto - Camilo, que já escrevia febrilmente, volta a encontrar Ana Plácido, que jamais pudera esquecer e com quem vai fugir. Terminam ambos presos na Cadeia da Relação do Porto. Desta permanência, vai resultar uma das suas obras-primas - O Amor de Perdição.
Em 1864 instala-se definitivamente em S. Miguel de Ceide.
Todavia, uma “experiência predestinada e fatal, uma má estrela parece continuar a segui-lo para o perder”. Agora são os fantasmas da pobreza e da doença que o não deixam em paz; são os desgostos, sobretudo familiares, que o avassalam; é o isolamento de S. Miguel de Ceide que o oprime. “Eu trabalho há três anos, incansavelmente, a ver se consigo morrer sem dívidas" - escrevia em 1865. E em 1870, confessava: "o que sinto há doze noites seguidas é um estrondo infernal nos ouvidos, uma zoeira de catadupa que não me deixa estar sequer cinco minutos deitado".
Entretanto é a escravidão do trabalho literário, desde o jornalismo à produção de livros que são publicados a ritmo alucinante: Amor de Salvação, A Queda Dum Anjo, Novelas do Minho, O Bem e o Mal, Eusébio Macário, A Corja ...
Dez dias antes de morrer, confessa: "Sou o cadáver representante dum nome que teve alguma reputação gloriosa neste país, durante quarenta anos de trabalho. Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego".
No dia 1 de Junho de 1890 é a tragédia: põe termo à vida.
Página elaborada por um grupo de alunos e professores da escola para representar Portugal em Hannover 2000